sábado, novembro 12, 2011

Em tempo de Feira do Livro, 
embora o tempo de leitura seja o ano inteiro.

Recebi para publicação neste blog  a resenha da Professora Loiva Hartmann que publico a seguir:

Feira do Livro de  Pelotas 2011  
RESENHA: Livros que recomendo.
                        Grande Sertão: Veredas, do brasileiro João Guimarães Rosa e Cien anos de soledad, do colombiano Gabriel García Márquez. Ambos põe a nu a prostituição do Homem desamparado ante o poder e a corrupção. Em Grande Sertão, as autoridades estão sempre à margem esquerda do rio por ocasião dos conflitos (na Bíblia, os filhos diletos estão à direita do Pai), mostrando situação atual. Riobaldo, personagem central, diz que "o sertão é dentro da gente". A travessia é a busca de valores a que todo ser humano procede a partir do estado de solidão.
É na arte que as formas pulsionais que movem o ser se apresentam de forma mais contundente e a literatura é o espaço sagrado que permite compreender, através de representações (Jung), a plenitude da vida. Lévi-Strauss vincula o estudo da narrativa à revelação do fundo ideológico do texto. E então se está a um passo da História e da sociedade. Ponto central da travessia, Diadorim, homem/mulher? , é o núcleo da viagem circular de Riobaldo para dentro de si mesmo, em busca do eu. O sertão por fora é a luta com os Hermógenes e por dentro é luta com Diadorim, mistério impenetrável que planta nele a inquietação permanente.
                        CAS, é o check-up do desmantelamento e da corrupção de um grupo social por alienígenas, iniciado no século XVI com a colonização da América pelos espanhóis. Denuncia uma situação peculiar, na qual a prostituição moral, cívica, econômica, política e cultural é permanente! Em CAS, aclamado pela crítica internacional como o "romance do século", há um pilar: Ia tatarabuela ignorada, testemunha onisciente das ruínas de uma civilização. Através da sabedoria secular dessa mãe-prostituta, Márquez recria o mito do tempo circular, o mesmo tempo circular da viagem de Riobaldo em Grande-Sertão.
                        Cremos que a obra de Rosa lhe é superior: contestando a sociedade que prostitui o indivíduo, pela corrupção do que nele há de mais intocável -sua intimidade e dignidade humanas, diante desta sociedade Rosa não capitulou e, para exprimir a necessidade de revirilização do Homem, nos deu Grande Sertão, a apologia da coragem. O sertão lhe pareceu o único espaço do mundo moderno em que a vida não é impessoal. Obra impregnada de determinantes filosóficos, éticos, psicológicos, políticos, além da genialidade na recriação lingiiística, em J.G. Rosa, com em Beethoven, Goethe, Rembrandt, Bach, Mozart, as coisas acontecem "sub species religionis" -eminentemente estéticos. Buscava~ a beleza eterna, perenidade ideal que lhes saciasse a sede de infinito.
                        Nesses exponenciais da cultura ocidental, a inserção do feminino permite observar o essencial: a comunhão irredutível dos princípios masculino/feminino. E que as deformações havidas em seus papéis históricos, tiveram sempre em seu bojo interesses ideológicos de poder.
                        E a função social da literatura se manifesta na experiência do leitor, na expectativa da prática de sua vida: pré-forma sua compreensão de mundo, resultando nas várias formas de comportamento social. Portanto, o prof. de Literatura, é agente essencial à construção de uma consciência crítica e democrática.
                        Participar de uma Feira do Livro, significa ter tido professores de Língua e Literatura semeando conhecimento em mentes ávidas do mesmo. A existência mesma de uma feira dedicada à escrita, é uma homenagem a esses seres ainda não valorizados por muitos agrupamentos humanos, pequenos em si mesmos.

Profª Loiva Hartmann
UBE/IHGPEL/IJSLN/Museu do Charque 

Nota: CAS - CEM ANOS DE SOLIDÃO



créditos de imagem: internet




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