sexta-feira, setembro 07, 2007

BRASIL, UM SONHO INTENSO



Não sou saudosista. Não fico achando que o passado é que era bom e que as coisas de agora não tem o mesmo valor de outrora. Por dois motivos. O tempo de agora também é o meu tempo. Estou viva. É meu tempo de fazer, de interagir, crescer, melhorar. Segundo motivo: Tudo muda. As energias se renovam. Todos os seres vivos têm um ciclo a cumprir. A mudança é uma certeza. A evolução e crescimento é uma opção.
O que me leva a escrever no momento e colocar estes pensamentos no papel? Sim, no papel. Só depois digito no computador
Os acordes da banda, nas primeiras horas desta manhã de sol me alegram e me fazem lembrar da época de adolescência e da Semana da Pátria. Era uma festa e tanto. Preparativos, uniforme impecável, saia bem passada. Havia o dia do hasteamento ou arriamento da bandeira no Altar da Pátria, o desfile da Juventude e a Parada Atlética, que ocorria, às vezes, pela manhã.
Os ensaios para todos marcharem na cadência certa ocorriam com antecedência.
Eram feitos ensaios na área interna do colégio (inicialmente no Pelotense e depois no Assis Brasil) e para encerrar um ensaio geral na rua. Ser comandante de pelotão era o máximo.
Depois isto tudo foi sendo modificado e esquecido, as bandas se desestruturaram, para só bem mais tarde as escolas retornarem à avenida com algum contingente de alunos. Sinal dos tempos.
No período da ditadura militar não havia expressão popular voluntária ao se comemorar a Semana da Pátria, proibiam-se aglomerações, concentrações de pessoas, cujas finalidades podiam ser “desvirtuadas”. Enfim, manifestações eram proibidas. O povo tinha justificados temores, a classe estudantil, precursora de movimentos era muito visada.
Não havia dissociação dos símbolos pátrios com os governantes da época e o não desfilar também foi uma maneira de demonstrar repúdio à situação vigente. Surgiram as Olimpíadas escolares.
Pois esta associação simples da pátria com quem governa, este certo desconsolo diante de tanta coisa errada, pode estar ocorrendo agora. Não podemos deixar que os escândalos, as imoralidades, distorções de valores éticos e morais, a violência que impera em determinados setores e/ou em determinadas regiões sejam motivo de desalento, de omissão e de acomodação.
É importante manter sempre a esperança, a coragem, e participar de forma ordeira e coerente para que a Pátria seja a que nós queremos, a que sempre sonhamos, com liberdade, oportunidade e justiça para todos.
Uma nação não se constrói só com a minoria governante, mas com o esforço, o suor, a participação de cada um dos cidadãos deste imenso e diversificado território.
A proposta tem que proporcionar um presente mais digno para cada um, oportunizando que cada indivíduo seja realmente cidadão, o que só pode ocorrer dentro de uma visão abrangente e não paternalista, educando para a participação na sociedade com esclarecimento, discernimento nas escolhas e possibilidades reais de mudança, de ascensão social decorrente da verdadeira educação que implica em aquisição de novos hábitos, modificação de atitudes .
Com o exercício pleno e efetivo da cidadania oportunizam-se novos caminhos a serem seguidos, pelo exemplo dado. Decorre daí a necessidade perene de bons cidadãos, exemplos dignos, líderes éticos, modelos atingíveis. Não ocorre um processo isolado. Ele se entrelaça tal qual uma rede. Por isto é importante que a união seja em prol de interesses e fins comuns e que estes sejam interesses de paz, de cidadania, de amor, justiça e liberdade.

Publicado no Diário da Manhã-Pelotas-RS
Data:2007.09.07
Publicado no portal: www.olhasoaqui.com
Data:2007.09.10


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